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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012


Apicultor comemora fartura de mel 

A alta floração em função das condições climatológicas mais uma vez favoreceu apicultores da região

Santa Catarina é conhecida no cenário nacional por ser um dos três estados que mais domestica abelhas, o que consequentemente, coloca a apicultura catarinense entre uma das maiores produtoras de mel do Brasil. Em 2010, o estado foi responsável por mais de 10% da produção melífera no país, que chegou a quase 40 mil quilos, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O extremo oeste catarinense, de acordo com dados divulgados pelo Sebrae, em 2007, possuía cerca de 20 pequenas associações do segmento apícola que envolviam a atividade de 1 mil produtores, e aproximadamente 20 mil colmeias que produziam em média 400 toneladas de mel por ano.

Em São Miguel do Oeste, o casal de apicultores Nerio Stedili e Doriti Maria que já estão no ramo há quase 10 anos, comemoram a boa colheita. "É uma baita safra, estamos calculando em torno de 6 mil quilos, isso para nós é inédito, nunca havíamos colhido tanto em um único ano", diz Nério. Em média, segundo ele, a produção anual chega há menos de 4 mil quilos. 

Na colheita de 2011, o casal conta que em função da estiagem, houve uma situação atípica, onde ocorreu com isso, três coletas de mel. Na ocasião, o médico veterinário Rafael Dal Ri Segatto, explicou que devido aos grandes períodos de calor e pancadas isoladas de pouca chuva, houve um grande estimulo da florada em vários momentos, e isso então impulsionou a produção. "Com essas três colheitas chegamos a 7 mil quilos de mel. Para nós foi algo inédito. Como está sendo este ano também, já que em uma só colheita chegamos bem perto do que foi coletado nas três safras do ano passado", acrescenta o apicultor.

COLETA
Em geral, segundo o casal de apicultores, a coleta de mel inicia em meados de novembro ou início de dezembro. Com uma parceria entre agricultores dos municípios de Descanso, Iporã do Oeste, Guaraciaba, Princesa, Barra Bonita, além de São Miguel do Oeste, Nerio tem espalhado nestas propriedades mais de 230 colmeias. "Em média, repasso 25% da produção ao agricultor que cedeu espaço na propriedade para o alojamento das caixas das abelhas", conta.
Este ano mais uma vez, segundo relata o apicultor, mesmo não sendo registrada estiagens, o clima favoreceu a apicultura. "Houve uma excelente florada de flor de uva japonesa, que é a base principal da produção do mel de nossas abelhas".

MANEJO
Em média, conforme os apicultores, cada colmeia têm cerca de 60 mil abelhas. E além de uma boa florada o manejo e o cuidado são essenciais para uma boa safra. "A maior mão de obra esta na colheita. A manutenção é mais tranquila, mas é importante porque se não cuidar não vai ter safra. Uma boa rainha faz uma boa postura de ovos e isso é fundamental para a produção", comenta.

Ao todo a coleta do mel das mais de 230 colmeias de Stedili, levou cerca de três semanas. Agora, o casal trabalha, na agroindústria instalada na propriedade, no processamento do material que é vendido para mais de 15 mercados da cidade. "Estamos negociando para vender também para a Conab/SC (Companhia Nacional de Abastecimento de Santa Catarina) que repassará o produto para entidades beneficentes".



Fernando Dias
Jornalista MTB-SC 4468
Agricultura eletrizante

Choque no inço: Agricultores conhecem novo método de controle de ervas daninhas por descarga elétrica


Está começando a engatinhar no país uma iniciativa nova no ramo agrícola. Trata-se de um método de controle e destruição de ervas daninhas por descarga elétrica. Em princípio, para quem não conhece, a tecnologia causa certo espanto, mas, segundo especialistas no assunto, a prática surge como uma excelente opção, principalmente para agricultores agroecológicos, já que dispensa o uso de agrotóxicos no preparo do solo para o cultivo. 

De acordo com o representante da Agro Prospecta, empresa que trabalha com soluções tecnológicas no campo, Fernando Pastreli, o equipamento denominado EletroHerb funciona por intermédio de um gerador de energia que manda a força para um transformador, que altera a corrente alternada para contínua e descarrega na planta. "A máquina fecha um curto-circuito na vegetação, paralisa o fluxo de seiva no caule e destrói ou faz com que a planta deixe de realizar seu ciclo biológico". Ou seja, ao receber o choque, a planta invasora tem a fisiologia alterada de forma irreversível, não absorvendo mais água nem nutrientes e secando em poucos dias. "Quanto mais água tiver a planta, mais rápida ela morrerá; há casos em que isso acontece em quatro ou cinco horas depois do processo", diz.

AGROECOLOGIA
Para um dos assessores do Cepa (Centro de Apoio aos Pequenos Agricultores), Ivo Macagnan, a máquina é uma ótima opção para a produção orgânica. "Em se tratando da preparação do solo, é algo muito útil, já que na produção orgânica há uma dificuldade nesse aspecto, porque realizar a adubação verde ou até mesmo outras práticas para produção agroecológica é bastante trabalhoso e o manejo nesse caso é indispensável. Com esse tipo de equipamento, existem condições de se fazer um preparo de solo adequado e com menos mão de obra", opina.

Para se ter ideia, de acordo com informações da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o Brasil é responsável por 1/5 do consumo mundial de agrotóxicos. Isso significa que o país usa 19% de todos os defensivos agrícolas produzidos no mundo; nos EUA esse percentual é de 17%, no restante do mundo o uso de agrotóxicos chega a 64%. Em conformidade com esses números, somente em 2010, foram vendidas 936 mil toneladas de agrotóxicos, um negócio que movimentou US$ 7,3 bilhões.
"O Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos, e pesquisas indicam que por ano os brasileiros ingerem mais de cinco quilos de venenos aplicados na agricultura, é algo preocupante, e as consequências disso são problemas de saúde graves, como câncer, por exemplo", diz Macagnan.

DISTINÇÃO
Para saber a procedência de um produto orgânico basta verificar se o mesmo possui o selo de identificação do Ministério da Agricultura. "Por lei, os produtos orgânicos são rotulados, existe uma legislação nacional para isso", avisa Macagnan.
 
OPÇÃO
A demonstração do funcionamento do equipamento para agricultores do extremo oeste foi realizada na propriedade da família Durigon, no interior de Descanso. "Essa alternativa é mais uma opção para os agricultores; na verdade, é muito válido para culturas orgânicas, mas qualquer produtor interessado pode fazer uso dessa nova tecnologia", comenta o extensionista da Epagri de Descanso, Zolmir Frizzo. "Estar atento a novidades tecnológicas no campo, para os interessados, é sempre de grande importância", completa.

"Na verdade, essa é uma tecnologia nova e está sendo aperfeiçoada, estamos em um momento de plena divulgação deste equipamento, nossa ideia não é concorrer diretamente com agrotóxicos, mas, sim, mostrar uma nova opção para o plantio direto", ressalva Pastreli.

Como disse o representante do equipamento, a máquina ainda está em fase de aperfeiçoamento da tecnologia, por isso é importante ressaltar que o processo em capins secos são mais dificultosos de serem eliminados. "É importante fazer uma averiguação da área para constatar quais os tipos de ervas daninhas que estão presentes. Ela é muito bem proveitosa mesmo no sistema de forragem e cobertura do solo", destaca.

SEGURANÇA
O equipamento trabalha com voltagem que varia de quatro a 12 mil volts. "Perigo sempre existe, como em qualquer outra atividade que se realiza, mas a pessoa que está operando tem grande segurança, o ideal é manter certa distância do equipamento, tipo um metro, para quem fica no solo. O equipamento tem vários sistemas de segurança, como o isolamento, por exemplo", ressalta Pastreli.

O equipamento, segundo o representante, já apresenta resultados satisfatórios, mas não elimina insetos e custa em torno de R$ 250 mil a empresa responsável também trabalha com prestação de serviços pagos por hora.


Fernando Dias
Jornalista MTB-SC 4468

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Não há limites para os que querem atingir os objetivos




Na última quinta-feira, dia 11, foi comemorado em todo o país o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Física 

Dos mais de 190 milhões de brasileiros, pelo menos 23,9% (45 milhões) declararam ao Censo (2010) possuir algum tipo de deficiência (mental, auditiva, visual ou física). O número de deficientes é expressivo, mesmo assim muitas vezes eles passam despercebidos. Sem exageros, pode-se dizer que são cidadãos quase invisíveis perante a sociedade. Na última quinta-feira, dia 11, foi comemorado o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Física. A data marca as lutas e conquistas dessas pessoas que almejam o respeito e a promoção da dignidade como responsabilidade de todos.

No Brasil, ao menos 13 milhões de pessoas se consideram deficientes físicas, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Deficiência física é uma consequência de problemas que ocorrem no cérebro ou sistema locomotor, e levam a um mau funcionamento ou paralisia de membros. Entre as principais causas estão fatores genéticos, fatores virais ou bacterianos, fatores neonatal ou ainda fatores traumáticos (especialmente os medulares).

ALÉM DA ESPERANÇA
Celi é funcionária pública da biblioteca municipal
O grau de dificuldade na vida de um deficiente físico é sempre maior em praticamente todas as atividades que realiza e isso sem falar no preconceito que muitos sofrem. Mesmo assim, a força de vontade, determinação e a esperança de muitos deficientes rompe barreiras que parecem intransponíveis a eles. "Qualquer pessoa que foge ao padrão do que seria normal é sempre vista com outros olhos. O deficiente que disser que nunca sofreu nenhum tipo de preconceito está mentindo", diz a funcionária pública Celi Fátima de Pauli, que teve poliomielite aos seis meses de vida. A doença afetou a coordenação motora dela. Hoje, aos 45 anos, ela ainda não cansou de lutar e provar para si mesma de que é capaz de levar uma vida normal como qualquer outra pessoa.

"Comecei a andar com sete anos. E só fui para a escola pela primeira vez aos 21. Queria muito aprender a ler e achava que não conseguiria escrever, mas hoje consigo fazer isso no computador", conta ela, que em 1995 escreveu e lançou um livro autobiográfico.

Passando pelo supletivo de jovens e adultos, Celi terminou o Ensino Médio em 1999, e imediatamente iniciou o curso de Artes, se formou, e pós graduou-se em Educação Especial. "Hoje tem toda essa questão de inclusão social, mas na época em que iniciei os estudos não havia muito disso aqui em São Miguel do Oeste. Nunca tive problemas com colegas, todos me tratavam bem, o que me chateava eram alguns professores demonstrarem certo preconceito comigo".

Mesmo com as dificuldades e desconfianças do dia a dia, ela lembra que nunca pensou em desistir dos objetivos: "Quanto mais eu era desafiada, mais eu queria provar que podia fazer as coisas".

ARTE COM OS PÉS
Quem já assistiu ao filme "Meu pé esquerdo" de 1989, baseado na história real do irlandês Christy Brown, sabe como é impressionante a capacidade do ser humano de vencer barreiras e se superar. No longa-metragem, algumas das cenas mais incríveis são as que Brown aparece desenhando quadros com o pé esquerdo. Assim como no filme, impossibilitada de usar as mãos para pintar, Celi também não teve medo de aprender a pintar e fazer arte com o pé (direito). Com o pincel entre os dedos, ela desenha belos quadros e se surpreende: "Para pintar com o pé, não tenho dificuldades. Eu às vezes olho para os quadros e penso: Será que fui eu que fiz?", brinca.

VIDA SOBRE DUAS RODAS
A frase 'vida sobre duas rodas' tem íntima relação com Luiz Elizeu de Vargas, de 56 anos. Mas não, ele não é motociclista e nunca foi. Luiz é cadeirante e a cadeira de rodas é a extensão do seu corpo há mais de 35 anos. Aos 19 anos, em plena juventude, ele conta que servia o Exército na cidade de Pelotas/RS quando sofreu um acidente com arma de fogo. Um colega, ao manusear uma arma, acabou acertando-o sem intenção, quando Luiz estava deitado. O tiro atingiu a terceira e quarta vértebras que ficam na altura aproximada do umbigo. Daquele dia em diante, a vida do jovem se transformaria para sempre. "Aprendi a ser guerreiro, foi uma situação difícil, o desânimo e a tristeza bateram, mas superei para poder continuar vivendo".

Mesmo com a dificuldade de locomoção, Luiz conta que decidiu levar uma vida normal. Depois de mais de cinco anos de tratamento, após o acidente, veio morar em São Miguel do Oeste. Aqui ele conta que realizava todas as atividades possíveis. "Ia ao banco normalmente, fazia o que podia. Claro que, devido à falta de acessibilidade, ficava impossibilitado de realizar muitas coisas. As pessoas estranhavam, no começo, que um cadeirante circulasse pela cidade. Nos anos 80, aqui na cidade ainda não estavam acostumados a ver esse tipo de atitude", lembra.

ESPORTE
Luiz deixa claro que a dificuldade de locomoção nunca foi encarada como obstáculo. O amor e a satisfação que ainda tem pelo esporte são sentimentos importantes que o ajudaram muito ao longo dos anos. "Sempre gostei muito de futebol, aí tive a ideia de montar uma escolinha e logo começamos a participar de campeonatos", comenta. A partir desta iniciativa, ele conheceu pessoas e fez amigos. "O esporte foi uma das minhas maiores realizações, que me proporcionou maior integração e superação".

Depois desta experiência começaram a aparecer oportunidades para que ele participasse de competições destinadas exclusivamente para deficientes físicos. "Participava de jogos de dama, xadrez, dominó e fui muitas vezes campeão. Acredito até que foi através destas práticas que consegui maior longevidade, porque é difícil um cadeirante viver tanto tempo sobre uma cadeira de rodas", diz ele, explicando que pelo fato de ficar muito tempo sentado um cadeirante precisa de cuidados extremos com a saúde.

ACESSIBILIDADE
Luiz Elizeu em seu carro adaptado para cadeirantes
Quanto à acessibilidade, Luiz destaca que ainda é preciso fazer muita coisa, mas salienta: "Não é o padrão ideal, mas progrediu muito, percebo que existe uma consciência maior das pessoas quanto à acessibilidade, mas também porque agora é lei e os estabelecimentos e prédios comerciais têm de se adequar".


Ele ainda comenta que há muitos lugares que parecem estar adaptados, mas com rampas e elevadores que não ajudam muito. "As pessoas têm que ter noção, as adaptações para acesso dos deficientes físicos têm que estar dentro das condições ideais; existem muitas rampas por aí que são muito inclinadas e dão a falsa impressão de que estão beneficiando cadeirantes quando na verdade são perigosas, pois podem derrubar os cadeirantes. Aí fica inviável".

Mesmo com as limitações, tanto Luiz quanto Celi aparentam ser pessoas independentes e as atitudes e iniciativas dos dois deixam isso ainda mais evidente. Para eles dois, certamente a deficiência física é um limite apenas para o corpo, mas definitivamente não é para o espírito.

Fernando Dias - Jornalista MTB/SC 4468

Pêssego Zilli tem registro aprovado pelo Mapa



Também conhecido como pêssego do filete branco, o fruto deverá ser apresentado a fruticultores de todo o Brasil no Congresso Nacional de Fruticultura

Há quase um ano, em um evento realizado na propriedade, a família Zilli de linha Pratinha interior de Descanso, apresentava oficialmente para agricultores do oeste e extremo oeste catarinense uma variedade de pêssego única em todo o mundo. Um pêssego saboroso, de cor predominantemente amarelo, carnudo, de consistência macia e com uma pequenina e marcante característica: um filetesinho branco que divide a polpa amarelada.

De acordo com o pesquisador da estação experimental da Epagri em Videira, Marco Antonio Dal'bó, a formação do fruto, também conhecido como pêssego do filete branco, foi devido a uma mutação genética - algo que segundo ele é considerado raro na natureza. Foi há mais de 10 anos que o fruticultor Agenor Zilli lembra que percebeu na propriedade o desenvolvimento de um pé de pêssego diferente, que acabou gerando alguns frutos que ele os considerou saborosos e desenvolvidos. Percebendo isso, Agenor aproveitou a planta para fazer alguns enxertos.

Contudo, naquele momento, o fruticultor jamais poderia imaginar que anos mais tarde o fruto considerado "diferente" seria registrado junto ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) como a variedade de pêssego Zilli. Justamente o sobrenome da família. A aprovação do registro, segundo o pesquisador da estação experimental da Epagri em Videira, deu-se há pouco mais de uma semana. Agora, a variedade Zilli está habilitada para o sistema produtivo formal, onde é permitida a produção, o beneficiamento e a comercialização.

ACOMPANHAMENTO

Pêssego do filete branco é resultado de uma mutação genética
Dal'bó comenta que ao longo destes anos muitos experimentos e acompanhamentos foram feitos pela Epagri, em parceria com a Embrapa, a respeito da planta. "Acompanhamos uns três ciclos de produção, tanto na propriedade quanto na estação experimental de Videira", diz. Com os experimentos, ele conta que foi possível conhecer melhor algumas características: "A floração desta variedade é considerada precoce, o que também antecipa o desenvolvimento dos frutos e a colheita, se comparada a outras variedades de pêssego".

Outra constatação é a de que o pé de pêssego do filete branco, considerado uma mutação da variedade chimarrita, só se desenvolve plenamente em regiões quentes. "É uma variedade especificamente para regiões com clima quente. Em Videira, por exemplo, que é mais frio, a planta não apresentou as mesmas potencialidades. Ainda vai levar alguns anos, mas a ideia é testar a variedade Zilli em outras regiões do Brasil, como em São Paulo, por exemplo".

DE SC PARA O BRASIL

Família Zilli

Com o registro, a variedade, que já é conhecida em boa parte do grande oeste, poderá ser apresentada a outros estados brasileiros. "Nossa ideia é apresentar oficialmente a variedade Zilli para boa parte do país no Congresso Nacional de Fruticultura", que será realizado de 22 a 26 de outubro em Bento Gonçalves/RS. "Isso vai ajudar na fase de divulgação, pois somente saberemos qual será a aceitação do público no momento em que o pêssego for mais conhecido nacionalmente", acredita ele, que completa: "Ainda é cedo para prever alguma coisa, precisamos ter certeza quanto à aceitação dos frutos da variedade Zilli no mercado e o que isso poderá representar. Mas certamente nossa expectativa é muito positiva, esperamos de fato que esse pêssego fique muito famoso ao cair no gosto dos consumidores. Tudo isso vai depender da aceitação mercadológica".


EXPECTATIVA

De acordo com Agenor, que tem um pomar com mais de três mil pessegueiros - onde, destes, pelo menos 1.100 são da variedade Zilli - neste ano a colheita deve ser promissora, isso porque o clima ajudou bastante. "O tempo quente e seco colaborou com a fruticultura, mas, também por conta da pouca água, acho que o fruto não será muito grande". O extensionista da Epagri de Descanso, Vilmar Milani, também acrescenta que o clima seco que perdurou significativamente nos últimos meses possibilitará boa produção de pêssegos. Ele também comenta que por ser uma variedade precoce, a colheita do pêssego Zilli deverá iniciar já no próximo mês.

Aliada à expectativa da boa colheita, a família Zilli também faz planos para futuramente proteger a variedade, podendo até posteriormente cobrar royalties e direitos pela planta. "Já está registrado. Agora temos um ano de prazo para proteger e ter o direito assegurado pela variedade", diz Dal'bó, que finaliza: "Todo esse trabalho de registro e reconhecimento servirá como grande incentivo e reconhecimento para o fruticultor e toda a família, já que foi ele que percebeu o potencial da mutabilidade da planta".

Também disponível em: Folha do Oeste.com


Fernando Dias - Jornalista MTB/SC 4468

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Juventude rural: partir ou permanecer no campo?


Segundo o presidente da Fetaesc, em Santa Catarina mais de 30 mil propriedades rurais estão com a sucessão familiar ameaçada

Desde 1970, o Brasil registra um processo de encolhimento da população rural, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na última década, a pesquisa do Censo constatou que essa diminuição também foi registrada, já que no país, em 2010, havia 29.830.007 residentes na região rural, contra 31.835.143 em 2000. 

Esse processo presente há mais de 40 anos no Brasil é o que aprendemos na escola como êxodo rural - literalmente o abandono do campo. Algo que preocupa muitos governos em boa parte do mundo. E para aumentar ainda mais essa preocupação cercada de incertezas - nos últimos anos, associado aos números crescentes de abando do meio rural - outro assunto começou a ganhar destaque, o envelhecimento do campo e isso devido à migração de inúmeros jovens para as cidades. Para se ter ideia, entre os anos de 2000 e 2010, o êxodo rural atingiu mais de 835 mil jovens de 15 a 24 anos em todo o país, revela o IBGE.

"Infelizmente, acho que esta situação de abandono rural por parte dos jovens vai continuar. Temos de ser realistas: não vemos muitas expectativas de mudança. Aqui em Santa Catarina são 32 mil propriedade rurais que estão com a sucessão familiar ameaçada. E isso porque nunca houve políticas claras sobre a permanência da juventude no espaço rural", acredita José Walter Dresch, presidente da Fetaesc (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina), conhecida por lutar, entre outros ideais, pela implementação de políticas agrícolas de inclusão dos trabalhadores rurais, assegurando condições dignas de permanência no campo.

"QUERO FICAR"

Na região extremo oeste catarinense não há dados oficiais sobre esse tipo de êxodo rural. Mas basta andar pelas comunidades interioranas para se certificar da escassez de jovens que, seduzidos pelas teóricas facilidades da modernidade nas cidades, acabam por deixar o campo. Contudo, na linha São Vendelino, interior de São José do Cedro, o agricultor de 25 anos, Alexandre Vogt, está na contramão dos crescentes índices do êxodo rural de jovens. "Quero ficar por aqui, a qualidade de vida do interior não se compara à das cidades", diz o jovem que mora com os pais Luiz e Noeli Vogt em uma propriedade com 12 hectares. 

O irmão mais novo de Alexandre já reside, trabalha e estuda na cidade - caminho que o jovem de 25 anos não pretende trilhar. Em geral, a família Vogt prefere trabalhar com a policultura e tem como fonte de renda a produção de leite, verduras e frutas cítricas.

POR QUE SAIR?

Para Alexandre, que é formado no Ensino Médio, a troca do meio rural pelo urbano, em se tratando dos jovens, ocorre devido a alguns fatores. "Primeiro por questões financeiras. Aqui é bem difícil querer competir com estados como o Mato Grosso na produção de grãos, por exemplo; é comum muitos agricultores da região trabalharem com o leite, mas vejo que nesses casos a monocultura pode representar certo risco, já que se fica mais vulnerável a crises. Também é uma atividade onde não sobram muitos recursos", comenta ele, que acrescenta: "Depois por questões sociais. No colégio, por exemplo, há um incentivo cultural de que tudo na cidade é melhor e que no campo estão somente pessoas atrasadas e se o jovem não deixar o campo também será alguém considerado atrasado. Nas escolas não há incentivos convincentes para que os estudantes vejam a agricultura como uma profissão", opina ele. 

Nesse ponto o presidente da Fetaesc também concorda: "Em geral, no Brasil não há uma preocupação com a educação rural ou com atividades sociais de lazer e cultura, pois praticamente tudo está nas cidades. Inclusive ferramentas como a internet e o celular que são usados por muitos jovens", diz Dresch, que ressalva: "Na agricultura existe apenas a preocupação com o volume de produção. Há apenas o interesse em faturar e se esquece um pouco do ser humano agricultor. E isso não é garantia de permanência de jovens no campo".

INCENTIVO PARA PERMANECER


José Walter Dresch, presidente da Fetaesc
Cerca de oito milhões de jovens, com idades entre 15 e 29 anos, moram na zona rural brasileira, de acordo com dados da Secretaria Nacional de Juventude. Conforme Dresch, o que falta para que não haja o abandono do campo pela juventude é uma ampla valorização do agricultor. 

"Entre educação, esporte, lazer há uma série de questões que são importantes; Como fazer para segurar, por exemplo, um adolescente que vai estudar na cidade e lá se depara com celular e internet; coisas que não estão presentes no campo, é evidente que ele vai querer ter contato com essa modernidade. Precisamos de políticas voltadas para o campo para que eles não queiram ir para as cidades".

Já o jovem agricultor da linha São Vendelino acha que as propriedades rurais precisam de maior incentivo público: "Não falo de apoio financeiro. Deveriam oferecer cursos profissionalizantes voltados para a agricultura e também incentivos sociais", ressalva ele, que finaliza: "A agricultura é a base de tudo; o poder público tem que olhar pro agricultor como uma fonte de produção de riquezas e não ver isso apenas nos parques industriais", acredita.


De olho no futuro

Com apoio da Epagri, jovem agricultor de linha São Vendelino trabalha otimista e vê boas perspectivas no ramo da fruticultura   


Percebendo as dificuldades para competir na produção de grãos com outros estados e não enxergando a monocultura como garantia absoluta de rentabilidade, a família Vogt, de linha São Vendelino, em São José do Cedro, acredita que uma boa alternativa de sobrevivência para um futuro bem próximo é a fruticultura. Tanto que aposta muito nesse segmento. 

Há cerca de um ano, com apoio da Epagri de São José do Cedro, do Programa SC Rural e do Programa Juro Zero, começou a ser implantada na propriedade uma URT (Unidade de Referência Tecnológica) com uvas. "Aqui estamos auxiliando no trabalho, para tornar o local uma referência na região em se tratando de fruticultura. Outros agricultores poderão visitar e conhecer na prática como tudo é feito e organizado. Nos próximos anos, será construída uma agroindústria onde deverão ser produzidos sucos, geleias, vinhos e outros derivados", explica o extensionista da Epagri, Elmar Hentz, reforçando que a URT tem também a missão de propagar e demonstrar aos produtores rurais diferentes formas e possibilidades de produção no campo. 


Agricultor de linha São Vendelino, Alexandre Vogt
Atualmente, no parreiral da família Vogt há em torno de 400 pés de uva e a ideia é chegar a dois mil nos próximos anos. "Temos aqui implantado o sistema de condução em Y, que facilita no manejo e diminui a mão de obra. Vamos ainda construir uma cobertura em todo o parreiral e implantar um sistema de gotejamento", diz o agricultor Alexandre Vogt. Uma preocupação na produção das uvas será a utilização de adubação orgânica. "Pensamos na sustentabilidade, por isso estamos usando em princípio pó de rocha, cinza, esterco bovino, cobertura verde para o solo e um biofertilizante produzido aqui mesmo", comenta o agricultor.

SISTEMA DE CONDUÇÃO EM Y

De acordo com o extensionista da Epagri, Claudinei Isoton, o sistema de condução em Y ainda é muito pouco utilizado na região, mas apresenta algumas facilidades se comparado ao sistema tradicional dos parreirais. "A diminuição da mão de obra é o principal diferencial, a facilidade do manejo também, já que as uvas ficam a mais ou menos 1,20 m do solo. Nesse sistema, dependendo do lugar, há uma maior incidência do sol sobre os frutos, o que faz com que os mesmos se tornem mais saborosos, diferente do sistema convencional que faz bastante sombra", explica.

COBERTURA DO SOLO

Como no sistema de condução em Y há maior insolação, alguns cuidados com o solo são essenciais. "Estamos trabalhando com uma prática de cobertura do solo com auxílio do amendoim forrageiro, que não causa erosão e não permite que o sol atinja diretamente a terra", conta Alexandre. "O sol em muitos casos queima os nutrientes e materiais orgânicos do solo, por isso essa precaução é importante", explica Elmar.

PERSPECTIVA

Se querer é poder, Alexandre e os pais Luiz e Noeli estão com meio caminho andado. Não falta empenho e vontade para a família se fortalecer e assegurar ainda mais rentabilidade na propriedade. Mesmo com uma perspectiva de permanência no campo incerta e o aumento do êxodo rural, principalmente por parte dos jovens, a decisão do agricultor de 25 anos em permanecer no campo está embasada em boas e promissoras perspectivas de futuro. 

"A agricultura é a base de tudo [...] Tem gente que me diz que sou louco por apostar assim na fruticultura, mas o Brasil é visto internacionalmente como um país com potencial para praticamente alimentar boa parte do mundo, por isso acredito que na  agricultura estão disponíveis boas perspectivas econômicas, e que a nossa região ainda pode crescer com a expectativa do turismo rural", diz Alexandre, que também mira esse horizonte de possibilidades.

Disponível no site do Folha do Oeste:

Juventude rural: partir ou permanecer no campo?

De olho no futuro



Fernando Dias (MTB/SC 4468)