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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013


Condições climáticas aumentam expectativa na produção de grãos
Com a consequente valorização do milho e da soja produtores visam bons lucros com a produção de grãos

As condições climatológicas estão deixando produtores de grãos do extremo oeste catarinense animados com as previsões econômicas que anteveem a colheita. Historicamente, de acordo com o engenheiro agrônomo, José Carlos Paiva Filho, na região, a opção por plantar lavouras de milho sempre foram superiores às plantações da soja. Mas nesta safra, conforme Paiva, registros locais tem apontado um crescimento de lavouras de soja em relação às de milho.

Para o agrônomo, aliado ao aumento do plantio da soja (na região) está o custo de produção, que segundo ele, é inferior ao custo do cultivo de milho. "Enquanto no milho o custo da produção na lavoura chega a 90 ou 100 sacas por hectare, na soja, fica em torno de 25 sacas por hectare. O que quer dizer então, que na avaliação final, a soja se sobressai". Na prática isso significa dizer que a cada hectare de milho produzido haveria um custo de produção aproximado de R$ 2.800. Já que preço do milho atualmente gira na casa de R$ 28,00. Na lavoura de soja, o custo de produção seria de mais ou menos R$ 1.650 levando em conta o valor atual da soja avaliado em R$ 66,00.

"Esse ano temos um equilíbrio entre as lavouras do milho e a da soja; isso vai ficar interessante, porque a soja esta entrando em uma área que antes era específica do milho", completa.

CLIMA

Agrônomo, José Carlos Paiva Filho
O clima, na maioria das vezes, é sempre um fator determinante para qualquer cultura. A regularidade de chuvas é imprescindível para uma boa safra. Em agosto do ano passado, período em que se iniciou a cultura do milho, não houve precipitações consideráveis, o que causou certo temor aos produtores. Aliado ao princípio de seca, produtores de grãos sofreram, antes, com outra adversidade climática: a geada fora de época que também afetou lavouras de milho em meados de agosto. O produtor, formado em agronomia e mestre em ciência do solo, Alexandre Léo Berwanger, de linha São Vicente interior de Guaraciaba, destaca que a safra começou conturbada. 

"Primeiro teve a adversidade da geada que começou quando grande parte do milho já estava semeada. Foi uma geada fora de época, anormal. A primeira parte do milho, da safra do mais cedo, perdeu produtividade devido a esse fator. Depois tivemos mais uma adversidade, uma seca que não atingiu toda a região, sendo em alguns pontos foi mais severa, em outros não tanto. Estes foram dois fatores que limitaram o teto produtivo da cultura do milho". Porém, em resultados de produtividade, as lavouras afetadas, na primeira quinzena de agosto, são consideradas por alguns especialistas como perdas insignificantes.

Já a soja não foi afetada, porque o início do plantio foi em novembro quando o tempo já estava mais ameno, com registro de chuva, em alguns casos, a cima da média.

PRODUTIVIDADE

Em praticamente toda a região (incluindo grandes, médias e pequenas propriedades) a produtividade de milho, segundo Paiva, fica na faixa de seis mil quilos por hectare. "Hoje temos milho em estado avançado de maturação fisiológica; com certeza deveremos ter uma produtividade, em se tratando das lavouras de alta tecnologia, com média igual ou superior a 150 sacas por hectare, o que representa cerca de nove mil quilos por hectare, contra uma média nacional de quatro mil quilos. Mas essa média, em se tratando de lavouras que tem como objetivo final somente a produção de grãos", destaca Paiva que completa: "Claro que teremos ainda plantações alcançando 180 a 200 sacas por hectare, como teremos também aquelas que produzirão 120 sacas".

Mesmo com boa perspectiva de safra em lavouras que utilizam alta tecnologia na produção de grãos, a média regional fica baixa, e isso devido a alguns fatores: "As pequenas propriedades que produzem grãos forçam a valor final da produtividade para baixo, e isso porque há propriedades que usam a área de grão depois que já exploraram ao extremo a pastagem de inverno. Além disso, existe uma dificuldade grande no uso do solo devido ao pisoteio do gado, levando a problemas de enraizamento, retenção de umidade e compactação; esses são alguns fatores que levam a produtividade lá para baixo", comenta.

COMPARATIVO

Produtor, Alexandre Berwanger
Conforme Berwanger, que possui cerca de 400 hectares de grãos, sendo duas partes de soja para uma de milho, a expectativa dos números da safra são boas. "Se a chuva não parar a soja renderá muito, garantindo boa produtividade; não como no ano passado que foi muito ruim, devido ao período forte de estiagem que entrou em um momento crítico de crescimento, florescimento e enchimento de grãos das plantas. As médias produtivas, no ano passado, da soja e do milho foram 20 sacas por hectare, um número terrivelmente baixo. Foi possível produzir um pouco mais com a soja do tarde, que conseguiu chegar ao teto de 30 sacas por hectare", avalia.

EXPECTATIVA

Para esse ano a perspectiva de safra, por hectare, da família Berwanger é colher 50 sacas de soja e a cima de 130 sacas de milho. "Esperamos que essa chuva continue para dar a soja que esta florescendo, maior vigor. Em janeiro a quantidade de chuvas será crucial, pois a intensidade de calor é maior", comenta Alexandre. O produtor ressalta que fatores climáticos podem comprometer, em alguns casos, até 70% da produção, mas a genética e a tecnologia de aplicação e o manejo também são importantes. "Erros de manejo ou agronômico também roubam produtividade, mas não se comparam aos estragos que o clima pode causar na produção". 

MERCADO

As commodities agrícolas estão em alta, o que consequentemente eleva o valor do milho e da soja. "Isso vai trazer lucro para quem consegue produzir num custo de produção baixo, quem souber equilibrar, vai ganhar dinheiro e terá sua margem de lucro podendo até, quem sabe, recuperar o que perdeu na safra do ano passado. Estamos com uma expectativa de preços muito boa e melhores que no ano passado", avalia o produtor. Segundo Alexandre os contratos de soja, por exemplo, já são firmados com preços da saca bem a cima de R$ 50 já que no mercado físico a soja está avaliada em aproximadamente R$ 70. 

O agrônomo ainda destaca que praticamente 90% da produção grãos da família é comercializado em cooperativas que ficam na região e em geral são transformadas em óleo. "A demanda de milho na nossa região é muito grande, tanto que recebemos mais milho de fora do que produzimos, nosso é utilizado 100% na região".

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012


Apicultor comemora fartura de mel 

A alta floração em função das condições climatológicas mais uma vez favoreceu apicultores da região

Santa Catarina é conhecida no cenário nacional por ser um dos três estados que mais domestica abelhas, o que consequentemente, coloca a apicultura catarinense entre uma das maiores produtoras de mel do Brasil. Em 2010, o estado foi responsável por mais de 10% da produção melífera no país, que chegou a quase 40 mil quilos, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O extremo oeste catarinense, de acordo com dados divulgados pelo Sebrae, em 2007, possuía cerca de 20 pequenas associações do segmento apícola que envolviam a atividade de 1 mil produtores, e aproximadamente 20 mil colmeias que produziam em média 400 toneladas de mel por ano.

Em São Miguel do Oeste, o casal de apicultores Nerio Stedili e Doriti Maria que já estão no ramo há quase 10 anos, comemoram a boa colheita. "É uma baita safra, estamos calculando em torno de 6 mil quilos, isso para nós é inédito, nunca havíamos colhido tanto em um único ano", diz Nério. Em média, segundo ele, a produção anual chega há menos de 4 mil quilos. 

Na colheita de 2011, o casal conta que em função da estiagem, houve uma situação atípica, onde ocorreu com isso, três coletas de mel. Na ocasião, o médico veterinário Rafael Dal Ri Segatto, explicou que devido aos grandes períodos de calor e pancadas isoladas de pouca chuva, houve um grande estimulo da florada em vários momentos, e isso então impulsionou a produção. "Com essas três colheitas chegamos a 7 mil quilos de mel. Para nós foi algo inédito. Como está sendo este ano também, já que em uma só colheita chegamos bem perto do que foi coletado nas três safras do ano passado", acrescenta o apicultor.

COLETA
Em geral, segundo o casal de apicultores, a coleta de mel inicia em meados de novembro ou início de dezembro. Com uma parceria entre agricultores dos municípios de Descanso, Iporã do Oeste, Guaraciaba, Princesa, Barra Bonita, além de São Miguel do Oeste, Nerio tem espalhado nestas propriedades mais de 230 colmeias. "Em média, repasso 25% da produção ao agricultor que cedeu espaço na propriedade para o alojamento das caixas das abelhas", conta.
Este ano mais uma vez, segundo relata o apicultor, mesmo não sendo registrada estiagens, o clima favoreceu a apicultura. "Houve uma excelente florada de flor de uva japonesa, que é a base principal da produção do mel de nossas abelhas".

MANEJO
Em média, conforme os apicultores, cada colmeia têm cerca de 60 mil abelhas. E além de uma boa florada o manejo e o cuidado são essenciais para uma boa safra. "A maior mão de obra esta na colheita. A manutenção é mais tranquila, mas é importante porque se não cuidar não vai ter safra. Uma boa rainha faz uma boa postura de ovos e isso é fundamental para a produção", comenta.

Ao todo a coleta do mel das mais de 230 colmeias de Stedili, levou cerca de três semanas. Agora, o casal trabalha, na agroindústria instalada na propriedade, no processamento do material que é vendido para mais de 15 mercados da cidade. "Estamos negociando para vender também para a Conab/SC (Companhia Nacional de Abastecimento de Santa Catarina) que repassará o produto para entidades beneficentes".



Fernando Dias
Jornalista MTB-SC 4468
Agricultura eletrizante

Choque no inço: Agricultores conhecem novo método de controle de ervas daninhas por descarga elétrica


Está começando a engatinhar no país uma iniciativa nova no ramo agrícola. Trata-se de um método de controle e destruição de ervas daninhas por descarga elétrica. Em princípio, para quem não conhece, a tecnologia causa certo espanto, mas, segundo especialistas no assunto, a prática surge como uma excelente opção, principalmente para agricultores agroecológicos, já que dispensa o uso de agrotóxicos no preparo do solo para o cultivo. 

De acordo com o representante da Agro Prospecta, empresa que trabalha com soluções tecnológicas no campo, Fernando Pastreli, o equipamento denominado EletroHerb funciona por intermédio de um gerador de energia que manda a força para um transformador, que altera a corrente alternada para contínua e descarrega na planta. "A máquina fecha um curto-circuito na vegetação, paralisa o fluxo de seiva no caule e destrói ou faz com que a planta deixe de realizar seu ciclo biológico". Ou seja, ao receber o choque, a planta invasora tem a fisiologia alterada de forma irreversível, não absorvendo mais água nem nutrientes e secando em poucos dias. "Quanto mais água tiver a planta, mais rápida ela morrerá; há casos em que isso acontece em quatro ou cinco horas depois do processo", diz.

AGROECOLOGIA
Para um dos assessores do Cepa (Centro de Apoio aos Pequenos Agricultores), Ivo Macagnan, a máquina é uma ótima opção para a produção orgânica. "Em se tratando da preparação do solo, é algo muito útil, já que na produção orgânica há uma dificuldade nesse aspecto, porque realizar a adubação verde ou até mesmo outras práticas para produção agroecológica é bastante trabalhoso e o manejo nesse caso é indispensável. Com esse tipo de equipamento, existem condições de se fazer um preparo de solo adequado e com menos mão de obra", opina.

Para se ter ideia, de acordo com informações da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o Brasil é responsável por 1/5 do consumo mundial de agrotóxicos. Isso significa que o país usa 19% de todos os defensivos agrícolas produzidos no mundo; nos EUA esse percentual é de 17%, no restante do mundo o uso de agrotóxicos chega a 64%. Em conformidade com esses números, somente em 2010, foram vendidas 936 mil toneladas de agrotóxicos, um negócio que movimentou US$ 7,3 bilhões.
"O Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos, e pesquisas indicam que por ano os brasileiros ingerem mais de cinco quilos de venenos aplicados na agricultura, é algo preocupante, e as consequências disso são problemas de saúde graves, como câncer, por exemplo", diz Macagnan.

DISTINÇÃO
Para saber a procedência de um produto orgânico basta verificar se o mesmo possui o selo de identificação do Ministério da Agricultura. "Por lei, os produtos orgânicos são rotulados, existe uma legislação nacional para isso", avisa Macagnan.
 
OPÇÃO
A demonstração do funcionamento do equipamento para agricultores do extremo oeste foi realizada na propriedade da família Durigon, no interior de Descanso. "Essa alternativa é mais uma opção para os agricultores; na verdade, é muito válido para culturas orgânicas, mas qualquer produtor interessado pode fazer uso dessa nova tecnologia", comenta o extensionista da Epagri de Descanso, Zolmir Frizzo. "Estar atento a novidades tecnológicas no campo, para os interessados, é sempre de grande importância", completa.

"Na verdade, essa é uma tecnologia nova e está sendo aperfeiçoada, estamos em um momento de plena divulgação deste equipamento, nossa ideia não é concorrer diretamente com agrotóxicos, mas, sim, mostrar uma nova opção para o plantio direto", ressalva Pastreli.

Como disse o representante do equipamento, a máquina ainda está em fase de aperfeiçoamento da tecnologia, por isso é importante ressaltar que o processo em capins secos são mais dificultosos de serem eliminados. "É importante fazer uma averiguação da área para constatar quais os tipos de ervas daninhas que estão presentes. Ela é muito bem proveitosa mesmo no sistema de forragem e cobertura do solo", destaca.

SEGURANÇA
O equipamento trabalha com voltagem que varia de quatro a 12 mil volts. "Perigo sempre existe, como em qualquer outra atividade que se realiza, mas a pessoa que está operando tem grande segurança, o ideal é manter certa distância do equipamento, tipo um metro, para quem fica no solo. O equipamento tem vários sistemas de segurança, como o isolamento, por exemplo", ressalta Pastreli.

O equipamento, segundo o representante, já apresenta resultados satisfatórios, mas não elimina insetos e custa em torno de R$ 250 mil a empresa responsável também trabalha com prestação de serviços pagos por hora.


Fernando Dias
Jornalista MTB-SC 4468

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Não há limites para os que querem atingir os objetivos




Na última quinta-feira, dia 11, foi comemorado em todo o país o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Física 

Dos mais de 190 milhões de brasileiros, pelo menos 23,9% (45 milhões) declararam ao Censo (2010) possuir algum tipo de deficiência (mental, auditiva, visual ou física). O número de deficientes é expressivo, mesmo assim muitas vezes eles passam despercebidos. Sem exageros, pode-se dizer que são cidadãos quase invisíveis perante a sociedade. Na última quinta-feira, dia 11, foi comemorado o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Física. A data marca as lutas e conquistas dessas pessoas que almejam o respeito e a promoção da dignidade como responsabilidade de todos.

No Brasil, ao menos 13 milhões de pessoas se consideram deficientes físicas, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Deficiência física é uma consequência de problemas que ocorrem no cérebro ou sistema locomotor, e levam a um mau funcionamento ou paralisia de membros. Entre as principais causas estão fatores genéticos, fatores virais ou bacterianos, fatores neonatal ou ainda fatores traumáticos (especialmente os medulares).

ALÉM DA ESPERANÇA
Celi é funcionária pública da biblioteca municipal
O grau de dificuldade na vida de um deficiente físico é sempre maior em praticamente todas as atividades que realiza e isso sem falar no preconceito que muitos sofrem. Mesmo assim, a força de vontade, determinação e a esperança de muitos deficientes rompe barreiras que parecem intransponíveis a eles. "Qualquer pessoa que foge ao padrão do que seria normal é sempre vista com outros olhos. O deficiente que disser que nunca sofreu nenhum tipo de preconceito está mentindo", diz a funcionária pública Celi Fátima de Pauli, que teve poliomielite aos seis meses de vida. A doença afetou a coordenação motora dela. Hoje, aos 45 anos, ela ainda não cansou de lutar e provar para si mesma de que é capaz de levar uma vida normal como qualquer outra pessoa.

"Comecei a andar com sete anos. E só fui para a escola pela primeira vez aos 21. Queria muito aprender a ler e achava que não conseguiria escrever, mas hoje consigo fazer isso no computador", conta ela, que em 1995 escreveu e lançou um livro autobiográfico.

Passando pelo supletivo de jovens e adultos, Celi terminou o Ensino Médio em 1999, e imediatamente iniciou o curso de Artes, se formou, e pós graduou-se em Educação Especial. "Hoje tem toda essa questão de inclusão social, mas na época em que iniciei os estudos não havia muito disso aqui em São Miguel do Oeste. Nunca tive problemas com colegas, todos me tratavam bem, o que me chateava eram alguns professores demonstrarem certo preconceito comigo".

Mesmo com as dificuldades e desconfianças do dia a dia, ela lembra que nunca pensou em desistir dos objetivos: "Quanto mais eu era desafiada, mais eu queria provar que podia fazer as coisas".

ARTE COM OS PÉS
Quem já assistiu ao filme "Meu pé esquerdo" de 1989, baseado na história real do irlandês Christy Brown, sabe como é impressionante a capacidade do ser humano de vencer barreiras e se superar. No longa-metragem, algumas das cenas mais incríveis são as que Brown aparece desenhando quadros com o pé esquerdo. Assim como no filme, impossibilitada de usar as mãos para pintar, Celi também não teve medo de aprender a pintar e fazer arte com o pé (direito). Com o pincel entre os dedos, ela desenha belos quadros e se surpreende: "Para pintar com o pé, não tenho dificuldades. Eu às vezes olho para os quadros e penso: Será que fui eu que fiz?", brinca.

VIDA SOBRE DUAS RODAS
A frase 'vida sobre duas rodas' tem íntima relação com Luiz Elizeu de Vargas, de 56 anos. Mas não, ele não é motociclista e nunca foi. Luiz é cadeirante e a cadeira de rodas é a extensão do seu corpo há mais de 35 anos. Aos 19 anos, em plena juventude, ele conta que servia o Exército na cidade de Pelotas/RS quando sofreu um acidente com arma de fogo. Um colega, ao manusear uma arma, acabou acertando-o sem intenção, quando Luiz estava deitado. O tiro atingiu a terceira e quarta vértebras que ficam na altura aproximada do umbigo. Daquele dia em diante, a vida do jovem se transformaria para sempre. "Aprendi a ser guerreiro, foi uma situação difícil, o desânimo e a tristeza bateram, mas superei para poder continuar vivendo".

Mesmo com a dificuldade de locomoção, Luiz conta que decidiu levar uma vida normal. Depois de mais de cinco anos de tratamento, após o acidente, veio morar em São Miguel do Oeste. Aqui ele conta que realizava todas as atividades possíveis. "Ia ao banco normalmente, fazia o que podia. Claro que, devido à falta de acessibilidade, ficava impossibilitado de realizar muitas coisas. As pessoas estranhavam, no começo, que um cadeirante circulasse pela cidade. Nos anos 80, aqui na cidade ainda não estavam acostumados a ver esse tipo de atitude", lembra.

ESPORTE
Luiz deixa claro que a dificuldade de locomoção nunca foi encarada como obstáculo. O amor e a satisfação que ainda tem pelo esporte são sentimentos importantes que o ajudaram muito ao longo dos anos. "Sempre gostei muito de futebol, aí tive a ideia de montar uma escolinha e logo começamos a participar de campeonatos", comenta. A partir desta iniciativa, ele conheceu pessoas e fez amigos. "O esporte foi uma das minhas maiores realizações, que me proporcionou maior integração e superação".

Depois desta experiência começaram a aparecer oportunidades para que ele participasse de competições destinadas exclusivamente para deficientes físicos. "Participava de jogos de dama, xadrez, dominó e fui muitas vezes campeão. Acredito até que foi através destas práticas que consegui maior longevidade, porque é difícil um cadeirante viver tanto tempo sobre uma cadeira de rodas", diz ele, explicando que pelo fato de ficar muito tempo sentado um cadeirante precisa de cuidados extremos com a saúde.

ACESSIBILIDADE
Luiz Elizeu em seu carro adaptado para cadeirantes
Quanto à acessibilidade, Luiz destaca que ainda é preciso fazer muita coisa, mas salienta: "Não é o padrão ideal, mas progrediu muito, percebo que existe uma consciência maior das pessoas quanto à acessibilidade, mas também porque agora é lei e os estabelecimentos e prédios comerciais têm de se adequar".


Ele ainda comenta que há muitos lugares que parecem estar adaptados, mas com rampas e elevadores que não ajudam muito. "As pessoas têm que ter noção, as adaptações para acesso dos deficientes físicos têm que estar dentro das condições ideais; existem muitas rampas por aí que são muito inclinadas e dão a falsa impressão de que estão beneficiando cadeirantes quando na verdade são perigosas, pois podem derrubar os cadeirantes. Aí fica inviável".

Mesmo com as limitações, tanto Luiz quanto Celi aparentam ser pessoas independentes e as atitudes e iniciativas dos dois deixam isso ainda mais evidente. Para eles dois, certamente a deficiência física é um limite apenas para o corpo, mas definitivamente não é para o espírito.

Fernando Dias - Jornalista MTB/SC 4468

Pêssego Zilli tem registro aprovado pelo Mapa



Também conhecido como pêssego do filete branco, o fruto deverá ser apresentado a fruticultores de todo o Brasil no Congresso Nacional de Fruticultura

Há quase um ano, em um evento realizado na propriedade, a família Zilli de linha Pratinha interior de Descanso, apresentava oficialmente para agricultores do oeste e extremo oeste catarinense uma variedade de pêssego única em todo o mundo. Um pêssego saboroso, de cor predominantemente amarelo, carnudo, de consistência macia e com uma pequenina e marcante característica: um filetesinho branco que divide a polpa amarelada.

De acordo com o pesquisador da estação experimental da Epagri em Videira, Marco Antonio Dal'bó, a formação do fruto, também conhecido como pêssego do filete branco, foi devido a uma mutação genética - algo que segundo ele é considerado raro na natureza. Foi há mais de 10 anos que o fruticultor Agenor Zilli lembra que percebeu na propriedade o desenvolvimento de um pé de pêssego diferente, que acabou gerando alguns frutos que ele os considerou saborosos e desenvolvidos. Percebendo isso, Agenor aproveitou a planta para fazer alguns enxertos.

Contudo, naquele momento, o fruticultor jamais poderia imaginar que anos mais tarde o fruto considerado "diferente" seria registrado junto ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) como a variedade de pêssego Zilli. Justamente o sobrenome da família. A aprovação do registro, segundo o pesquisador da estação experimental da Epagri em Videira, deu-se há pouco mais de uma semana. Agora, a variedade Zilli está habilitada para o sistema produtivo formal, onde é permitida a produção, o beneficiamento e a comercialização.

ACOMPANHAMENTO

Pêssego do filete branco é resultado de uma mutação genética
Dal'bó comenta que ao longo destes anos muitos experimentos e acompanhamentos foram feitos pela Epagri, em parceria com a Embrapa, a respeito da planta. "Acompanhamos uns três ciclos de produção, tanto na propriedade quanto na estação experimental de Videira", diz. Com os experimentos, ele conta que foi possível conhecer melhor algumas características: "A floração desta variedade é considerada precoce, o que também antecipa o desenvolvimento dos frutos e a colheita, se comparada a outras variedades de pêssego".

Outra constatação é a de que o pé de pêssego do filete branco, considerado uma mutação da variedade chimarrita, só se desenvolve plenamente em regiões quentes. "É uma variedade especificamente para regiões com clima quente. Em Videira, por exemplo, que é mais frio, a planta não apresentou as mesmas potencialidades. Ainda vai levar alguns anos, mas a ideia é testar a variedade Zilli em outras regiões do Brasil, como em São Paulo, por exemplo".

DE SC PARA O BRASIL

Família Zilli

Com o registro, a variedade, que já é conhecida em boa parte do grande oeste, poderá ser apresentada a outros estados brasileiros. "Nossa ideia é apresentar oficialmente a variedade Zilli para boa parte do país no Congresso Nacional de Fruticultura", que será realizado de 22 a 26 de outubro em Bento Gonçalves/RS. "Isso vai ajudar na fase de divulgação, pois somente saberemos qual será a aceitação do público no momento em que o pêssego for mais conhecido nacionalmente", acredita ele, que completa: "Ainda é cedo para prever alguma coisa, precisamos ter certeza quanto à aceitação dos frutos da variedade Zilli no mercado e o que isso poderá representar. Mas certamente nossa expectativa é muito positiva, esperamos de fato que esse pêssego fique muito famoso ao cair no gosto dos consumidores. Tudo isso vai depender da aceitação mercadológica".


EXPECTATIVA

De acordo com Agenor, que tem um pomar com mais de três mil pessegueiros - onde, destes, pelo menos 1.100 são da variedade Zilli - neste ano a colheita deve ser promissora, isso porque o clima ajudou bastante. "O tempo quente e seco colaborou com a fruticultura, mas, também por conta da pouca água, acho que o fruto não será muito grande". O extensionista da Epagri de Descanso, Vilmar Milani, também acrescenta que o clima seco que perdurou significativamente nos últimos meses possibilitará boa produção de pêssegos. Ele também comenta que por ser uma variedade precoce, a colheita do pêssego Zilli deverá iniciar já no próximo mês.

Aliada à expectativa da boa colheita, a família Zilli também faz planos para futuramente proteger a variedade, podendo até posteriormente cobrar royalties e direitos pela planta. "Já está registrado. Agora temos um ano de prazo para proteger e ter o direito assegurado pela variedade", diz Dal'bó, que finaliza: "Todo esse trabalho de registro e reconhecimento servirá como grande incentivo e reconhecimento para o fruticultor e toda a família, já que foi ele que percebeu o potencial da mutabilidade da planta".

Também disponível em: Folha do Oeste.com


Fernando Dias - Jornalista MTB/SC 4468