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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Família de agricultores constrói casa ecológica

Preocupado com questões ambientais, agricultor descansense inova e constrói casa ecológica que pode servir de modelo para a região 
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Casa ecológica da família Turcatto, no interior de Descanso - SC
Você sabe de onde veio o material usado para a construção de sua casa? Independente de sua resposta, o fato principal é que muitas vezes a extração dessa matéria-prima pode prejudicar o meio ambiente. A preocupação cada vez maior com as questões ambientais exige que a sociedade repense suas ações diante da mãe natureza e procure meios de não causar tantos impactos ao ecossistema. As construções ecológicas e empreendimentos verdes são temas cada vez mais discutidos atualmente, pois, além de propiciarem economia, garantem mais conforto aos moradores e não agridem drasticamente a natureza.

A denominada casa ecológica, proveniente da bioconstrução, parece ter sido inventada há pouco tempo, porém é algo que vem sendo utilizado pelo ser humano desde os primórdios. A bioconstrução busca a máxima integração do ambiente construído com o ambiente natural. Foi com essa filosofia que o casal de agricultores, Itacir e Janete Turcatto, da linha Famoso interior de Descanso, Extremo Oeste de Santa Catarina iniciou em julho do ano passado (2009) a construção da primeira casa ecológica do município. 
CUSTOS
Família unida para a foto
O custo de uma casa ecológica pode ser até 55% mais barato do que uma construída pelo modo convencional, em média uma casa de 80 metros quadrados pode custar R$ 10 mil. A edificação de Turcatto possui dois pavimentos e o material mais utilizado foi terra local e madeira. As paredes que dão sustentação à casa têm entre 35 e 45 centímetros de espessura, são feitas de terra ensacada, denominadas blocos de hiper adobe
O sistema de pau-a-pique também foi empregado para edificar a parte de cima da casa. “Usamos bambu e preenchemos com barro”, comenta o agricultor. Em relação à parte externa e ao revestimento das paredes, os materiais utilizados foram uma pequena quantidade de cimento, cal e pó de brita, além de cinza, areia, serragem e muita terra. Ainda, para dar maior consistência à massa foi adicionado esterco de gado. 
A arquiteta que trabalha com bioconstrução, Cecília Prmpt, também contribuiu para a edificação da casa ecológica no interior de Descanso. Para ela, casas construídas com barro e que usam o sistema de pau-a-pique devem romper os tabus de que esse tipo de construção é exclusivo de miseráveis e pobres. “Na verdade isso não é por acaso, existe um grande interesse do setor da construção civil em que as pessoas pensem isso”. Ela destaca que a construção civil hoje é responsável por cerca de 50% da degradação do meio ambiente. E que essa técnica de casas ecológicas é muito empregada na Europa e EUA.
Cecília explica que algumas paredes internas da casa ecológica também foram construídas com o sistema “cord wood”, cuja tradução literal é cordão de madeira. No Brasil, esse sistema é mais conhecido como parede de toquinhos, onde pequenos tocos de madeira são adicionados e revestidos com terra. O sistema de telhado verde também é algo a ser implantado na casa ecológica da família Turcatto. O telhado verde deve propiciar um ambiente muito mais térmico e contribuir para uma umidade mais equilibrada, sem picos de elevação nem ar muito seco.
CONFORTO TÉRMICO E RESISTÊNCIA
A casa também tem um belo design

Anteriormente, o casal e os dois filhos viviam em uma casa de alvenaria construída de modo convencional. Morando há um mês na nova residência, Turcatto ressalta que o conforto térmico é um diferencial: “A casa é mais térmica, muito gostosa de morar. É muito melhor do que a que morávamos antes”. Isso ocorre em função da espessura das paredes que são feitas de terra, elemento altamente térmico. Com a pouca quantidade de cimento nas paredes a terra absorve umidade, em períodos de chuvas, e a libera gradativamente no interior do ambiente proporcionando equilíbrio térmico no ar. No frio, a casa tende a se aquecer, e no calor a se resfriar.
Existem casas de terra construídas na Índia com mais de mil anos. No Brasil, há relatos de casas edificadas com sistema semelhante com cerca de 160 anos. “O que pode deteriorar com o tempo é a madeira, mas a construção de terra em si é muito resistente”, garante Turcatto. 
Sistema cord wood
Ainda restam alguns detalhes a serem acabados, como por exemplo, a grama a ser plantada no telhado verde, mas basicamente a casa está concluída. “Isso que construímos não é apenas uma forma de vivermos melhor, mas também uma forma consciente, onde as pessoas possam perceber que devemos viver em maior sintonia com a natureza, sem causar tanto desequilíbrio, sem causar tanto impacto”, diz Turcatto que também é terapeuta, para ele essa é uma opção para se garantir vida mais longa às futuras gerações. “Porque a gente cuidando da natureza, a natureza cuida da gente”, finaliza. 

Guarani prepara equipe ideal para 2012

Tradicional time de futebol migueloestino se prepara para a temporada 2012 e sonha com o acesso a “Série B” estadual no próximo ano

Celso Zílio, presidente do Clube Esportivo Guarani
No final do mês passado, Celso Zílio, mais conhecido com Této, foi novamente eleito presidente do Clube Esportivo Guarani de São Miguel do Oeste. Zílio deve presidir por mais dois anos o maior clube de futebol de São Miguel do Oeste. Além do presidente foram eleitos para vice-presidente do clube, Miguel de Moura e segundo vice-presidente, Sérgio Holffelder. Para o conselho fiscal efetivo, Nereu Mazuti, Zilton Zílio e Edi Burim e os suplentes, Clair Geller, Eulo Centenaro e Pedro Schacker. A nova diretoria coordenará as atividades nas temporadas de 2012 e 2013. Para falar sobre os trabalhos a frente do Guarani, Této concedeu entrevista a mim cuja matéria foi publicada no Folha do Oeste no início deste mês, ele revelou as metas e ambições do clube para os próximos dois anos.

PRIORIDADES

Conforme o presidente do Guarani a prioridade dos trabalhos será no aprimoramento do futebol. “Queremos dar segmento aos trabalhos de administração interna do clube que são muito importantes. Mas na verdade faremos uma soma de trabalhos internos com o futebol que é nossa prioridade. Acredito que será um 2012 bem melhor que 2011 em virtude de vários pontos que estavam sendo administrados e foram corrigidos ainda no ano passado”, comenta.

Quanto às competições a serem disputadas Této ressalta que o Estadual de Amadores será uma das principais metas. “Temos o Campeonato Estadual de Amadores e estamos pensando em levar a equipe de base para as disputas da fase de Estadual de Amadores no sub-17. Começamos esse trabalho de base em 2011 e agora temos uma equipe de base também em condições de disputar o Estadual de Amadores na fase sub-17. Esse será um dos pontos fortes nosso. Estamos incentivando os trabalhos de base com a expectativa de possivelmente no futuro poder revelar algum atleta nosso na equipe principal. As duas equipes, principal e sub-17, creio eu que estarão na disputa do Estadual de Amadores de 2012, esse é nosso desejo”.

EQUIPE

Quanto à formação da equipe para este ano o presidente do Clube Esportivo Guarani revela que está sendo feito uma reavaliação dos trabalhos realizados em 2011. “Estamos planejando juntarmos hoje a maioria dos atletas do time que residem em São Miguel do Oeste. Creio que temos um bom potencial de atletas na nossa cidade e também na região e temos que aproveitar isso. Mas se precisarmos buscar atletas de mais longe buscaremos, o que queremos é montar uma equipe competitiva, um grande time, por que em 2013 queremos tentar o acesso à segunda divisão estadual que é o pensamento de todos”, revela.

CASO GROLI

Um dos desejos da diretoria do Guarani é conseguir a comprovação da propriedade ou da formação do atleta Douglas Groli, atualmente contratado pelo Grêmio. “O Guarani sempre buscou resgatar aquilo que é do clube. Temos alguns documentos de 2005 e 2006 que são importantes. Também já tivemos contato com a família Groli e estamos aguardando esse período de recesso da justiça. Mas nos próximos dias serão analisados esses documentos a fim de verificar se o que o clube possui em mãos serve para darmos entrada e encaminhamentos legais da propriedade ou da formação do atleta Douglas Groli. Isso certamente vai acrescentar muito e ajudar o Guarani. Além de servir de base para essa garotada que esta começando no futebol para que cada vez mais se dediquem ao esporte se tornem profissionais vindo a atuar em grandes equipes se for o desejo deles”, destaca.

Segundo Této, o clube vai fazer o possível para provar na justiça que é de propriedade a formação do atleta no Guarani. “O que não queremos é criar qualquer tipo de atrito com a família do atleta. Se tivermos direito para resgatar diante da Chapecoense é claro que vamos buscar. Essa formação do Douglas foi muito importante, como outros atletas que foram formados aqui e hoje atuam em outros clubes”, ressalva ele que diz: “O que infelizmente nos deixa bastante preocupados é a forma com que ele foi encaminhado à Chapecoense. Estamos buscando provas para resgatarmos desse direito da formação de passe”.

ATIVIDADES PRÁTICAS

Um dos desejos dos diretores do Guarani é apresentar toda a equipe técnica e de atletas ainda este mês. “Nos reunimos nessa semana para definir alguns pontos no sentido de buscarmos negociações futuras para uma comissão técnica para o time. Estamos avaliando e aguardando posicionamentos destas pessoas que estão sendo contatadas e existe uma grade possibilidade de no dia 31 de janeiro apresentarmos a comissão técnica e os atletas para que possamos dado início aos trabalhos”, diz.

EXPECTATIVAS

“Com apoio maciço dos conselheiros e da confiança que nos depositaram é claro que nossa responsabilidade aumenta muito mais diante da presidência. Nosso propósito é inovar é pensar grande, pensar alto. Estamos focando no futuro, olhando para frente , com os pés no chão claro, mas entendemos com esse voto de confiança juntamente com a sociedade de São Miguel do Oeste, as autoridades locais que nos representam no Estado na esfera Federal juntamente com os presidentes da comunidades do município, com nossos sócios e conselheiros formar um grande debate para chegarmos a um consenso legal para o clube com uma visão de futuro duradoura que possa seguir os trabalhos em novas gestões”, diz Této.

TORCEDOR

“Os torcedores podem ficar tranquilos que iremos procurar fazer o melhor em termos de futebol para o Guarani. Nos empenharemos o máximo que for possível para atender os anseios de todos. Nosso objetivo, é montar uma equipe que seja campeã, infelizmente o ano passado não deu, mas temos esperança de que agora a gente consiga resultados e êxitos para 2012. Vamos trabalhar unidos com o pensamento positivo para alcançarmos isso”, destaca.
           
ELIMINAÇÃO

Um momento deprimente para o Guarani foi a eliminação na semifinal do Estadual de Amadores do ano passado. “Foi um momento de desatenção, hoje serve de exemplo para próximas competições. Certamente quem estiver no comando da equipe nesta temporada ira sempre lembrar dessa data. Isso agora serve para nos acrescentar e serve como um belo exemplo daquilo que não esperávamos ter acontecido”, lembra.

SEGUNDA DIVISÃO

“Em 2013 queremos buscar a condição de uma segunda divisão, precisamos nos recompor financeiramente muito bem, e também precisamos o apoio da sociedade do poder público do Estado, dos nossos patrocinadores para que cheguemos ao final deste ano em condições de voltar a participar de competições estaduais como foi nos anos 70. A hora é essa, temos que nos abraçarmos e lutarmos por esse ideal”, finaliza.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Um ‘oásis’ em meio à estiagem

Ações preventivas continuam sendo as melhores opções para se precaver de problemas. Confira como medidas simples podem garantir armazenagem de água para períodos de seca

Foto: Fernando Dias
Dalmas abre rapidamente o registro para mostrar a vasão de
água da cisterna: “Não da pra desperdiçar”
Em um momento onde o foco do governo e de boa parte da população do oeste e extremo oeste catarinense se volta para uma possível solução que amenize os prejuízos causados pela estiagem que chegam a R$ 400 milhões no campo, eis que isso tudo nos leva a pensar: sabemos que estamos em um período propício para enfrentar condições climáticas adversas.

Não é de hoje que o verão brasileiro se caracteriza por chuvas mal distribuídas em boa parte do território nacional. Basta acompanhar o noticiário e constatar, principalmente Minas Gerais e Rio de Janeiro sofrem com as quantidades alarmantes de chuvas. Por outro lado o Sul do Brasil mais uma vez sente os efeitos da estiagem que acomete a agricultura.

Mais uma vez fica evidente que faltou certo cuidado com a prevenção. Em geral, no Brasil depois que se constatou o prejuízo, é que o governo vai atrás. As perdas com a seca se repetem por falta de planejamento e prevenção, funções básicas de qualquer governo. Não é de hoje que a agricultura e os moradores do extremo oeste vem sendo afetados pela estiagem. Em 2009 a região vivia o mesmo drama: falta de água potável para o consumo humano e animal, perdas nas plantações e distribuição de água via caminhão pipa. De lá para cá poucas foram as medidas preventivas realizadas.

“PREVENIR É MELHOR QUE REMEDIAR”

Que a prevenção é a solução de muitos possíveis problemas todos sabemos, mas poucos aplicamos esse conceito na prática. No entanto, alguns agricultores do extremo oeste catarinense com apoio e incentivo de extensionistas da Epagri começam a mudar um pouco os parâmetros e a forma de pensar, e assim buscam medidas preventivas para se precaver da falta de água em períodos de estiagem.

Um exemplo disso é o que ocorre na linha São Valentin, interior de Descanso, município que calcula perdas superiores a R$ 9 milhões na agricultura devido a seca. Na propriedade do agricultor David Dalmas, há dois anos foi instalada uma cisterna no aviário. Conforme explica o extensionista da Epagri de Descanso, Vilmar Milani, uma cisterna é um reservatório de águas pluviais, onde os benefícios são o aproveitamento da água da chuva não apenas para a alimentação (depois do tratamento) e limpeza, mas também para a irrigação. Em geral, as cisternas são muito utilizadas em regiões semiáridas ou onde a falta de chuva é propensa. 

“A falta de água era frequente em nossos aviários. Fazer um poço artesiano não era garantia. Então para que a família permanecesse na atividade da criação de frango para corte optamos em investir em uma cisterna. Expandir os aviários só seria possível com uma garantia de água para os animais”, diz Dalmas.

Filho de Dalmas mostra a cisterna com capacidade para 800 mil litros
De acordo com o agricultor que possui dois aviários na propriedade com capacidade para criar cerca de 40 mil aves por lote, o investimento em uma cisterna com disposição de armazenagem superior a 800 mil litros gira em torno de quase R$ 30 mil. “É um dinheiro investido que garante retorno. Até em produção melhora, dá lucro e mantêm a água fresca e com qualidade para os animais”, avalia.

Nessa época do ano em que o calor é constante, Dalmas destaca que o consumo da água armazenada na cisterna chega a ser três vezes maior que no inverno. “Em dias quentes são gastos em média mais de 35 mil litros de água, cerca de um litro por frango”, calcula.

INVESTIMENTO

O agricultor da linha São Valentin precisou financiar R$ 27 mil para construir a cisterna. O extensionista da Epagri de Descanso explica que o investimento na construção do reservatório pluvial se dá basicamente na aquisição de canaletas, filtro, tubos, manta para vedação e o pré-moldado. “A manta de vedação serve para isolar e deixar a água no escuro dentro do reservatório, assim se evita proliferação de algas e bichos”, diz.

O sistema de filtragem também garante que a água se mantenha em condições ideais para o consumo animal. Em geral, Dalmas utiliza a água recolhida para tratar os animais e também na pulverização do aviário, que garante uma temperatura amena para o desenvolvimento das aves.

“Precisamos divulgar esse trabalho e alertar ainda mais os agricultores que armazenar a água é uma boa alternativa e um bom investimento. A pecuária e agricultura na região têm crescido e o armazenamento de água deve atender esse crescimento. Já que a tendência daqui para frente é que se aumente o consumo de água diminuindo as reservas naturais existentes”, ressalta Milani.

APOIO

Na opinião de Dalmas o governo Federal deveria propor subsídios de ao menos 50%  para que produtores pudessem garantir a construção de cisternas na propriedade. “Seria bom para o agricultor e para o Estado que assim teria garantia de retorno. Se eu não tivesse conseguido financiamento não teria dinheiro para construir esse sistema que garantiu até 20% a melhora da nossa renda”, destaca.

A cisterna na propriedade do agricultor retardou os prejuízos da estiagem, o que já é um grande negócio. Mas, mesmo com a cisterna, Dalmas comenta que se não chover nos próximos dias precisará contratar um caminhão pipa para garantir a água no reservatório e assim assegurar o desenvolvimento do próximo lote de aves.

A opção de cisternas é apenas uma dentre outras possíveis alternativas que podem garantir a reserva de água da chuva na propriedade de agricultores do extremo oeste catarinense. Inúmeras são as ações preventivas que podem garantir um impacto menos danoso no campo, governo e sociedade precisam abrir os olhos para essa situação para que não soframos mais com essa ação da natureza que pode ser prevista. Dinheiro só não basta, precisamos de medidas preventivas. Aí fica a pergunta: como será nos próximos verões? Enfrentaremos mais uma vez os mesmos problemas de hoje?
Estiagem aumenta os prejuízos na agricultura do Extremo Oeste. Além do milho, as culturas do tabaco, soja e uva sofrem baixas e prejuízos. O gado leiteiro também tem problemas com as pastagens que secaram em muitos pontos das propriedades.







Foto: Fernando Dias


O Rio Ervalzinho no interior de Descanso (SC) está praticamente seco. Volume de água diminuiu drasticamente devido a estiagem. De acordo com dados preliminares, o município já teve perdas superiores a R$ 9 milhões na agricultura e pecuária.












Foto: Fernando Dias